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20.11.16
"MY PEOPLE COME FIRST" - reflexões sobre o negro na mídia para a 65/10
Ao receber o convite para discorrer sobre o tema, tive um sentimento conflitante: 2016, ainda estamos falando sobre isso?! Sim! E que bom que ainda se tem espaço para falar sobre o assunto em uma semana que cobra “consciência”.
Passados 65 anos da Lei “Caó”, que define como crime qualquer ato de discriminação racial, somente agora foi aprovada a prisão para crimes de racismo e discriminação pela internet. 26 anos da renovação da constituição do estado da Bahia, que traz um capítulo específico sobre cota para negros na publicidade, e ainda clamamos pela presença de negros na mídia.
A frase em alta para a reivindicação é “representatividade negra importa”. Eu prefiro ir além, digo que “protagonismo negro importa”. Confesso que tenho um enorme receio sempre que tentam me representar.
A representatividade negra livre de estereótipo e coerente com a realidade, ainda é muito recente na mídia nacional. Engatinha com fragilidade, e por vezes causa estranhamento até mesmo para o público em questão. Depois de anos expostos a um padrão normativo, que considerava apenas a beleza nórdica em corpos esquálidos de pessoas héteros, quem não desconfiaria?
É sabido que a indústria da publicidade não foi criada para ser empática. O consumo desenfreado é alimentado pelas desigualdades; os indivíduos passaram a buscar suas identidades por meio daquilo que consomem. Em uma projeção psicanalítica, quem teria o desejo de ser negro? O papel do negro na mídia é um retrato fidedigno de como sociedade nos vê. Quando não marginalizados; estamos para entreter — seja cantando sua música favorita ou marcando um gol para o seu time — ou para servir — seja nos afazeres braçais e domésticos ou no sexo.
Sai da senzala!
Acredito que o caminho para uma significativa mudança dentro do cenário em questão está em tirar a capa de um país miscigenado e democrático, e se assumir como um Brasil excludente e racista. É preciso urgentemente que a mídia brasileira se desapegue do pensamento de cultura escravocrata. É tolice justificar a ausência de negros como um recorte social; sendo que o que existe é uma censura midiática que esconde negros prósperos e bem sucedidos. Embora a população negra esteja, majoritariamente, presa nas classes C e D; é um erro ignorar o crescimento da classe média negra, que ganha mais de 10 salários mínimos. Permanecem no erro ao ignorar uma parcela da população decide cerca de R$ 400 bilhões/ano em compras. Ainda que o carrinho do supermercado seja do patrão, o poder de decisão de compra da mulher negra é gigantesco.
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22.9.15
E se os clássicos da Disney fossem Filmes Blaxploitation...? + O gênero que obrigou o mundo a notar os negros
O Blaxploitation foi um movimento cinematográfico norte-americano que surgiu na esteira da luta pelos direitos civis e na efervescência cultural e política da virada entre as décadas de 1960 e 1970. A palavra é um portmanteau de black ("negro") e explotaition ("exploração"). Se na música ídolos negros já eram celebrados, uma representação na linha de frente do cinema – ensaiada desde o Oscar de melhor ator ganho por Sidney Poitier em 1964 – ainda parecia um passo ousado. Combinada com a necessidade da indústria cinematográfica por novos mercados, diretores e atores negros passaram a produzir filmes que retratassem essa ebulição. Em uma trama clássica encontraremos histórias que envolve sexo, drogas, violência e injustiçados unidos em busca de vingança.
Pois bem... colocaremos uma lente de blaxploitation nos filminhos da Disney e em suas meigas princesas!
Frogula | BLACKULA
Em 1780, o príncipe Naveen de Maldonia pede Conde Drácula para ajudá-lo a interromper o comércio de escravos na África. Conde Drácula ajuda, mas com uma condição... ele transforma Naveen em vampiro.
Quando Principe Naveen tenta fazer uso dos seus novos poderes de vampiro na Maldonia, um feiticeiro, por vingança, o transforma em sapo imortal, sendo amaldiçoado por séculos até que ele encontra Tiana. Foi dito à ela que só encontraria seu grande amor quando beijasse um sapo... procurando por sua felicidade, ela beija Naveen. Mas ele não ressurge como um belo príncipe, ele se transforma em Frogula!
Alice in Harlem Land | GODFATHER OF HARLEM
Quando Alice é informada pelo Coelho Branco que Harlem Land está sendo aterrorizada pela Rainha de Espadas ( a irmã mais perversa da Rainha de Copas), ela retorna para cuidar dos negócios.
Foxy Lion | FOXY BROWN
Quando Scar monta uma farsa e mata o Rei Mufasa, Nala afia suas garras e põe em prática um pouco da justiça típica da savana em nome do pai de seu amante.
10.8.15
Pop Art Mashup: Colage Art de Alberto Pereira
A trilha não é música clássica; é samba e tamborzão... não estamos em Veneza; os personagens são do morro e do guetto... a cutis dos retratados não é alva, os cabelos não são loiros e esvoaçantes... mas a temática de hoje são Pinturas Renascentistas!
"Negro Nobre" é o nome do projeto do jovem designer carioca, Alberto Pereira Nogueira Junior; que utiliza as referências de obras clássicas do século XV para retratar notáveis personas do cenário da arte e música negra nacional.
De Tim Maia à Mr. Catra, de Ivone Lara à Gaby Amarantos, de Claudinho e Buchecha à Lucas e Orelha... "O objetivo é mostrar o papel crucial de personalidades negras na construção da cultura popular brasileira, tudo isso de maneira leve e bem humorada.", comenta o idealizador do projeto.
Bambas reais: Arlindo Cruz, Zeca, Xande de Pilares e Dudu...Beeem Nobre!
Imperador do R.A.P. Primeiro
Imperador do R.A.P. Segundo
Gran Zica Emicida
Simonal, Dom Champignon
O síndico da realeza toda!
Dona Ivone Lara, 94 anos de reinado e realeza.
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18.7.15
Afrostream: uma 'Netflix' só com filmes sobre negros! | :-o


Os fãs da indústria do entretenimento vivem um momento histórico graças aos serviços de streaming. Produtos como Spotify e Netflix facilitam e barateiam o acesso a conteúdo de qualidade, mas eles apenas abriram as portas para o potencial do setor, que em um dos seus próximos passos deve se render à segmentação.
Um bom exemplo é o Afrostream, um serviço de streaming com foco em filmes protagonizados por atores negros. Ele é tocado por uma startup francesa que assinou acordo com os principais estúdios de Hollywood, além de distribuidores independentes americanos, africanos e britânicos.
Muitas das produções presentes no Afrostream já constam em serviços como Netflix, mas haverá também uma grande quantidade de material que não se encontra com facilidade - principalmente os de origem africana.

"Mesmo quando você procura no Popcorn Time ou em sites de BitTorrent, [percebe que] falta conteúdo afro-americano", disse o CEO da empresa, Tonjé Bakang, em entrevista ao TechCrunch. "E quando você encontra um filme, não há legendas", completou.
Em setembro, quando o Afrostream for lançado, ele será disponibilizado primeiro na França, Bélgica, Suíça, Senegal e Costa do Marfim, mas Bakang diz que há acordos fechados para levar a novidade a "muitos outros" países africanos - aliás, como o português é o terceiro idioma mais falado no continente, dá para pensar na possibilidade de a novidade chegar ao Brasil; já tem até filme daqui na plataforma:
FAVELAS - Bande annonce (VF)Deux garçons des bidonvilles de Rio trouvent un portefeuille, ils sont loin de se douter que leur vie est sur le point de changer à jamais. AFROSTREAM
Posted by AFROSTREAM on Sexta, 26 de dezembro de 2014
A mensalidade custará apenas € 7 e pelo menos 2 mil pessoas já assinaram o serviço mesmo com tantos meses de antecedência, garantindo um bom caixa para a startup em questão de semanas. A Afrostream também fechou acordo com uma locadora virtual, a MyTF1 VOD, para disponibilizar parte do catálogo enquanto não estreia. Em apenas cinco meses, seu canal no serviço já foi responsável pela locação de 200 mil filmes.
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