As influências da matriz afro no cotidiano podem ser percebidas na alimentação, nas músicas e nas diversas linguagens da arte. E todas essas influências também estão presentes na mostra MOTUMBÁ, que acontece no Sesc Belenzinho.
O dia 20 de novembro, dia de Zumbi dos Palmares, também é conhecido como o dia da Consciência Negra. Em algumas cidades, essa data também é feriado.
Mas você já pensou no porquê dessa desse dia e na sua importância?
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18.1.17
15.9.16
Lupita Nyong'o e seu pessoal na Vogue Magazine!
A Vogue de outubro estará especialíssima!
Lupita já estampou muitas capa da publicação que é referência no mundo da moda, mas essa edição tem um diferencial, um ensaio maravilhoso pelas lentes de Mario Testino no vilarejo de sua família no Quênia.
12.8.16
Albus: A estética do albinismo em uma belíssima série fotográfica.
Na África do Sul, estima-se que 1 em 4000 pessoas são afetadas por albinismo, uma condição hereditária que bloqueia a produção de melanina, resultando em pouca ou nenhuma pigmentação no cabelo pele e os olhos.
10.6.16
De olho no afropop, Roc Nation assina com Tiwa Savage
Roc Nation assinou com minha diva nigeriana Tiwa Savage!
Essa foto em que Tiwa está recheada pelos J's - JAY Z e Don Jazzy - foi no ato do acordo firmado entre a Roc Nation e a Mavin Records, a banca que lidera o estilo afropop na África.
Confira o recente vídeo da canção "If I Start To Talk".
Confira o recente vídeo da canção "If I Start To Talk".
31.7.15
Erykah Badu fala sobre "O paradigma da alegria" + Mixtape para alma
BIM BIM BIM BIM BIM

O que é isso?
É o alarme divôôônico explodindo de tanto tocar!
Erykah Badu não conseguia conter sua alegria no lançamento da revista Essence durante o Fest 2015 Essence. "Essa sou eu!", brincou ela em apresentação no palco do Mercedes Benz Superdome, em Nova Orleans, enquanto exibia a capa da revista no telão.
A alegria agora é nossa... o photoshoot já está no ar... e eu estou aqui tentando processar tanta beleza física e de alma!

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30.7.15
Música de 5ª: California Roll | Stevie Wonder, Pharrell Willians & Calvin Cordozar Broadus Jr.
Só mesmo Pharrell Willians para pegar na mão de Snoop Dogg e tirar ele da brisa que foi Reincarnated...
Amigo é para essas coisas... te falar o que tá certo, o que tá errado e produzir música hit!
BestFriendForever desde "From tha Chuuuch to da Palace" [2002], passando por "Beautiful" [2003], inseparáveis em "Drop It Like It's Hot" e "Let's Get Blown" [2004] e depois de "That Girl" [2006] deram um tempinho no grude.
Mas como amizade boa nunca deixa de brilhar, Pharrell ressurge na vida de Calvin Cordozar Broadus Jr. para a produção de Bush! [ Tks God!]
Para a missão, entrou na co-produção o também Neptunes Chad Hugo. O resultado foi um álbum bem funkeado, de nome "Bush".
Tava bem bonito esse papo de amizade, até que Snoop resolveu jogar pesado no quesito amigos f*d*s... e sugeriu um toque especial para a faixa "California Roll".
Duas semanas antes do lançamento do albúm, revendo as faixas com Pharrell no estúdio, Snoop resolveu dar sua boa cartada:
[VERSÃO BRASILEIRA HERBERT RICHERS]
"Eu acho que seria supimpa ter a harmônica de Stevie Wonder nesta daqui!"
18.7.15
Afrostream: uma 'Netflix' só com filmes sobre negros! | :-o


Os fãs da indústria do entretenimento vivem um momento histórico graças aos serviços de streaming. Produtos como Spotify e Netflix facilitam e barateiam o acesso a conteúdo de qualidade, mas eles apenas abriram as portas para o potencial do setor, que em um dos seus próximos passos deve se render à segmentação.
Um bom exemplo é o Afrostream, um serviço de streaming com foco em filmes protagonizados por atores negros. Ele é tocado por uma startup francesa que assinou acordo com os principais estúdios de Hollywood, além de distribuidores independentes americanos, africanos e britânicos.
Muitas das produções presentes no Afrostream já constam em serviços como Netflix, mas haverá também uma grande quantidade de material que não se encontra com facilidade - principalmente os de origem africana.

"Mesmo quando você procura no Popcorn Time ou em sites de BitTorrent, [percebe que] falta conteúdo afro-americano", disse o CEO da empresa, Tonjé Bakang, em entrevista ao TechCrunch. "E quando você encontra um filme, não há legendas", completou.
Em setembro, quando o Afrostream for lançado, ele será disponibilizado primeiro na França, Bélgica, Suíça, Senegal e Costa do Marfim, mas Bakang diz que há acordos fechados para levar a novidade a "muitos outros" países africanos - aliás, como o português é o terceiro idioma mais falado no continente, dá para pensar na possibilidade de a novidade chegar ao Brasil; já tem até filme daqui na plataforma:
FAVELAS - Bande annonce (VF)Deux garçons des bidonvilles de Rio trouvent un portefeuille, ils sont loin de se douter que leur vie est sur le point de changer à jamais. AFROSTREAM
Posted by AFROSTREAM on Sexta, 26 de dezembro de 2014
A mensalidade custará apenas € 7 e pelo menos 2 mil pessoas já assinaram o serviço mesmo com tantos meses de antecedência, garantindo um bom caixa para a startup em questão de semanas. A Afrostream também fechou acordo com uma locadora virtual, a MyTF1 VOD, para disponibilizar parte do catálogo enquanto não estreia. Em apenas cinco meses, seu canal no serviço já foi responsável pela locação de 200 mil filmes.
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13.7.15
Kiriku: "Os Homens e as Mulheres", o pequeno grande herói volta à tela do cinema para completar a trilogia
Depois de "Kiriku e a Feiticeira" e "Kiriku - Os Animais Selvagens", chega ao Brasil por distribuição da Imovision o último filme da trilogia sobre o menino Kiriku.
Em "Os Homens e as Mulheres", Kiriku é chamado para salvar sua aldeia de perigos sobrenaturais e humanos, o que ele faz com muita astúcia e humor, além de uma certa ingenuidade sobre o mundo. Os cinco contos contidos na animação são narrados pelo avô, o Homem Sábio que vive na Montanha Proibida, misturando narrativa tradicional e mitologia com pedaços de humor e sagacidade.
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8.7.15
Nykhor Paul, modelo sudanesa, protesta contra despreparo de maquiadores profissionais para cuidar da pele negra | Updated*
A modelo Nykhor Paul decidiu, na última segunda-feira (6), expor uma face não tão glamourosa da indústria da moda. Em um longo texto dirigido às "queridas pessoas brancas do mundo da moda" e publicado na sua conta pessoal em uma rede social, a jovem de 25 anos do Sudão do Sul criticou os maquiadores profissionais das mais importantes Semanas de Moda Internacionais pelo despreparo para cuidar da pele negra. Segundo Nykhor, que já desfilou para marcas de prestígio como Vivienne Westwood, Balenciaga e Rick Owens e fez campanha para Louis Vuitton, o tratamento recebido pelas modelos brancas é diferenciado, pois elas não precisam levar a própria maquiagem para o camarim antes do desfile. Rapidamente, a modelo recebeu o apoio de seus seguidores e o post já alcançou mais de 3.600 curtidas.
11.6.15
De "feia" a rainha do baile: estudante negra reage a bullying com vestido
Uma foto publicada por Kyemah McEntyre (@mindofkye) em
Depois de sofrer bullying no ensino médio, sendo rotulada como "feia", a norte-americana Kyemah McEntyre, 18, decidiu dar uma resposta aos seus detratores. Como forma de superar o passado, ela decidiu usar estampas de inspiração étnica no vestido de formatura que ela mesma desenhou. Sua atitude fez tanto sucesso que ela foi eleita a rainha do baile e ganhou as redes sociais.
"Tenho 18 anos e sou sem dúvidas descendente de africanos. Como artista, tenho um ponto de vista completamente diferente da maioria das pessoas", explicou a garota em seu perfil do Instagram.
#kyebreaktheinternet #fashion #design #Jersey #eastorange #inspiration #blackgirlsrock #queendom
Uma foto publicada por Kyemah McEntyre (@mindofkye) em
As fotos, compartilhadas pela jovem em sua conta no Instagram, logo viralizaram e ela acumula mais de 30 mil seguidores na rede.
Uma foto publicada por Kyemah McEntyre (@mindofkye) em
O processo também serviu como uma forma de empoderamento, conta Kyemah: "Nós impedimos nosso crescimento espiritual, ao permitirmos que suposições e estereótipos perturbem nossa mente e, por consequência, a imagem que temos dos nossos corpos", conta. "Não deixe que ninguém te defina. Coisas maravilhosas acontecem quando você tem orgulho de si mesma", escreveu.
Uma foto publicada por Kyemah McEntyre (@mindofkye) em
'Thank God, stereotypes are just opinions.'
5.5.15
7.4.11
11.11.10
Sambatown
Sambatown é uma história sobre o samba, o negro, a África na América, o carnaval e, principalmente, sobre o ciúme. Todas as cenas são permeadas de referências e simbologias dos orixás na mitologia africana. A música forte e orquestral, na forma de um afro-samba-de-baile,marca o compasso dessa tragédia e é o grande condutor da animação.
A estrutura da narrativa é estritamente visual, não permite diálogos e prioriza pequenos detalhes e gestos. O estilo gráfico é limpo e simples, mas, ao mesmo tempo, também é colorido e elegante.
Inspirado livremente pelos desenhos de Carybé sobre as entidades da mitologia afro-brasileira, SAMBATOWN é um duelo de deuses humanizados que brigam pelo amor na cidade e no etéreo mundo das mitologias afro-brasileiras.

O enredo se transformou em roteiro e, em 2010, no primeiro curta de animação do diretor.
A direção de animação ficou aos cuidados de Rogério Shareid, da produtora Usinanimada , em Ribeirão Preto, e foi financiada com apoio da Secretaría do Audiovisual do Ministério da Cultura. Os layouts são de Nicolas Mendes e os cenários de Diogo Kalil.
A trilha contou com arranjos do Maestro Laércio de Freitas e produção de Arthur Guidi e Maurício Lima, em parceria o Estúdio Cachuera, em São Paulo.
Ao todo, são seis mil frames de animação em HD, cinco minutos de filme e dois anos de produção.
'Belíssimo' define este curta que já está presente nos circuitos de mostras mundo inteiro.
Muito orgulho!
PLUS> Veja toda concepção do projeto: ilustrações, referências, texto . . . que fez com que eu me apaixonasse ainda + por 'esse videozinho de 5 minutos'!
A estrutura da narrativa é estritamente visual, não permite diálogos e prioriza pequenos detalhes e gestos. O estilo gráfico é limpo e simples, mas, ao mesmo tempo, também é colorido e elegante.
Inspirado livremente pelos desenhos de Carybé sobre as entidades da mitologia afro-brasileira, SAMBATOWN é um duelo de deuses humanizados que brigam pelo amor na cidade e no etéreo mundo das mitologias afro-brasileiras.

O enredo se transformou em roteiro e, em 2010, no primeiro curta de animação do diretor.
A direção de animação ficou aos cuidados de Rogério Shareid, da produtora Usinanimada , em Ribeirão Preto, e foi financiada com apoio da Secretaría do Audiovisual do Ministério da Cultura. Os layouts são de Nicolas Mendes e os cenários de Diogo Kalil.
A trilha contou com arranjos do Maestro Laércio de Freitas e produção de Arthur Guidi e Maurício Lima, em parceria o Estúdio Cachuera, em São Paulo.
Ao todo, são seis mil frames de animação em HD, cinco minutos de filme e dois anos de produção.
'Belíssimo' define este curta que já está presente nos circuitos de mostras mundo inteiro.
Muito orgulho!
PLUS> Veja toda concepção do projeto: ilustrações, referências, texto . . . que fez com que eu me apaixonasse ainda + por 'esse videozinho de 5 minutos'!
10.9.10
Alisando nossos cabelos

por bell hooks
Apesar das diversas mudanças na política racial, as mulheres negras continuam obcecadas com os seus cabelos, e o alisamento ainda é considerado um assunto sério. Insistem em se aproveitar da insegurança que nós mulheres negras sentimos com respeito a nosso valor na sociedade de supremacia branca!
Nas manhãs de sábado, nos reuníamos na cozinha para arrumar o cabelo, quer dizer, para alisar os nossos cabelos. Os cheiros de óleo e cabelo queimado misturavam-se com os aromas dos nossos corpos acabados de tomar banho e o perfume do peixe frito.
Não íamos ao salão de beleza. Minha mãe arrumava os nossos cabelos. Seis filhas: não havia a possibilidade de pagar cabeleireira. Naqueles dias, esse processo de alisar o cabelo das mulheres negras com pente quente (inventado por Madame C. J. Waler) não estava associado na minha mente ao esforço de parecermos brancas, de colocar em prática os padrões de beleza estabelecidos pela supremacia branca. Estava associado somente ao rito de iniciação de minha condição de mulher. Chegar a esse ponto de poder alisar o cabelo era deixar de ser percebida como menina (a qual o cabelo podia estar lindamente penteado e trançado) para ser quase uma mulher. Esse momento de transição era o que eu e minhas irmãs ansiávamos.
Fazer chapinha era um ritual da cultura das mulheres negras, um ritual de intimidade. Era um momento exclusivo no qual as mulheres (mesmo as que não se conheciam bem) podiam se encontrar em casa ou no salão para conversar umas com as outras, ou simplesmente para escutar a conversa. Era um mundo tão importante quanto a barbearia dos homens, cheia de mistério e segredo.
Tínhamos um mundo no qual as imagens construídas como barreiras entre a nossa identidade e o mundo eram abandonadas momentaneamente, antes de serem reestabelecidas. Vivíamos um instante de criatividade, de mudança.
Eu queria essa mudança mesmo sabendo que em toda a minha vida me disseram que eu era “abençoada” porque tinha nascido com “cabelo bom” – um cabelo fino, quase liso –, não suficientemente bom, mais ainda assim era bom. Um cabelo que não tinha o “pé na senzala”, não tinha carapinha, essa parte na nuca onde o pente quente não consegue alisar. Mas esse “cabelo bom” não significava nada para mim quando se colocava como uma barreira ao meu ingresso nesse mundo secreto da mulher negra.
Eu regozijei de alegria quando a minha mãe finalmente decretou que eu poderia me somar ao ritual de sábado, não mais como observadora, mas esperando pacientemente a minha vez. Sobre este ritual escrevi o seguinte:
Para cada uma de nós, passar o pente quente é um ritual importante. Não é um símbolo de nosso anseio em tornar-nos brancas. Não existem brancos no nosso mundo íntimo. É um símbolo de nosso desejo de sermos mulheres.
É um gesto que mostra que estamos nos aproximando da condição de mulher [...] Antes que se alcance a idade apropriada, usaremos tranças; tranças que são símbolo de nossa inocência, juventude, nossa meninice. Então, as mãos que separam, penteiam e traçam nos confortam. A intimidade e a sina nos confortam.
Existe uma intimidade tamanha na cozinha aos sábados quando se alisa o cabelo, quando se frita o peixe, quando se fazem rodadas de refrigerante, quando a música soul flutua sobre a conversa.
É um instante sem os homens. Um tempo em que trabalhamos como mulheres para satisfazer umas as necessidades das outras, para nos proporcionarmos um bem-estar interior, um instante de alegrias e boas conversas.
Levando em consideração que o mundo em que vivíamos estava segregado racialmente, era fácil desvincular a relação entre a supremacia branca e a nossa obsessão pelo cabelo. Mesmo sabendo que as mulheres negras com cabelo liso eram percebidas como mais bonitas do que as que tinham cabelo crespo e/ou encaracolado, isso não era abertamente relacionado com a idéia de que as mulheres brancas eram um grupo feminino mais atrativo ou de que seu cabelo liso estabelecia um padrão de beleza que as mulheres negras estavam lutando para colocar em prática.
Esse momento é um marco histórico e ideológico do qual emergiu o processo de alisamento do cabelo de mulheres negras. Esse processo foi ampliado de maneira tal que estabeleceu um espaço real de formação de íntimos vínculos pessoais da mulher negra mediante uma experiência ritualística compartilhada.
O salão de beleza era um espaço de aumento da consciência, um espaço em que as mulheres negras compartilhavam contos, lamúrias, atribulações, fofocas – um lugar onde se poderia ser acolhida e renovar o espírito.
Para algumas mulheres, era um lugar de descanso em que não se teria de satisfazer as exigências das crianças ou dos homens. Era a hora em que algumas teriam sossego, meditação e silêncio. Entretanto, essas implicações positivas do ritual do alisamento do cabelo ponderavam, mas não alteravam as implicações negativas. Essas existiam concomitantemente.
Dentro do patriarcado capitalista – o contexto social e político em que surge o costume entre os negros de alisarmos os nossos cabelos –, essa postura representa uma imitação da aparência do grupo branco dominante e, com freqüência, indica um racismo interiorizado, um ódio a si mesmo que pode ser somado a uma baixa auto-estima.
Durante os anos 1960, os negros que trabalhavam ativamente para criticar, desafiar e alterar o racismo branco, sinalavam a obsessão dos negros com o cabelo liso como um reflexo da mentalidade colonizada. Foi nesse momento em que os penteados afros, principalmente o black, entraram na moda como um símbolo de resistência cultural à opressão racista e fora considerado uma celebração da condição de negro(a).
Os penteados naturais eram associados à militância política. Muitos(as) jovens negros(as), quando pararam de alisar o cabelo, perceberam o valor político atribuído ao cabelo alisado como sinal de reverência e conformidade frente às expectativas da sociedade.
Entretanto, quando as lutas de libertação negra não conduziram à mudança revolucionária na sociedade, não se deu mais tanta atenção à relação política entre a aparência e a cumplicidade com o segregacionismo branco, e aqueles que outrora ostentavam os seus blacks começaram a alisar o cabelo.
Sem ficar atrás dessa manobra para suprimir a consciência negra e os esforços das pessoas negras por serem sujeitos que se autodefinem, as empresas brancas começaram a reconhecer os negros, e de maneira especialíssima, às mulheres negras, como consumidoras potenciais de produtos que poderiam ser subministrados, incluindo aqueles para os cuidados com o cabelo. Permanentes especialmente concebidos para as mulheres negras eliminaram a necessidade do pente quente e da chapinha. Esses permanentes não só custavam mais caro, mas também levavam todas as economias e ganâncias das comunidades negras, especificamente dos bolsos das mulheres negras que anteriormente colhiam benefícios materiais (ver Como o Capitalismo Desenvolveu a América Negra, de Manning Marable, South End Pree).
O contexto do ritual havia desaparecido, não haveria mais a formação de vínculos íntimos e pessoais entre as mulheres negras. Sentadas embaixo de secadores barulhentos, as mulheres negras perderam um espaço para o diálogo, para a conversa criativa.
Desposadas desses rituais de formação de íntimos vínculos pessoais positivos, que rodeavam tradicionalmente a experiência, o alisamento parecia cada vez mais um significante da opressão e da exploração da ditadura branca.
O alisamento era claramente um processo no qual as mulheres negras estavam mudando a sua aparência para imitar a aparência dos brancos. Essa necessidade de ter a aparência mais parecida possível à dos brancos, de ter um visual inócuo, está relacionada com um desejo de triunfar no mundo branco. Antes da integração, os negros podiam se preocupar menos sobre o que os brancos pensavam sobre o seu cabelo.
Em discussão sobre a beleza com mulheres negras em Spelman College, as estudantes falavam sobre a importância de ter o cabelo liso quando se procura um emprego. Estavam convencidas, e provavelmente com toda a razão, de que sua oportunidade de encontrar bons empregos aumentaria se tivessem cabelo alisado. Quando se pediam mais detalhes sobre essa assertiva, essas mulheres se concentravam na conexão entre as políticas radicais e os penteados naturais, seja com ou sem tranças. Uma jovem que tinha o cabelo natural e curto falava até mesmo em comprar uma peruca de cabelo liso e comprido na hora de procurar emprego.
Nenhuma das participantes pensava na possibilidade de que nós mulheres negras éramos livres para usar os nossos cabelos naturais sem refletir sobre as possíveis conseqüências negativas. Com freqüência, os adultos negros, os mais velhos, especialmente os pais, respondiam negativamente aos penteados naturais. Contei ao grupo que, quando cheguei em casa com o cabelo trançado logo após conseguir um emprego em Yale, os meus pais me disseram que eu tinha um aspecto desagradável.
Apesar das diversas mudanças na política racial, as mulheres negras continuam obcecadas com os seus cabelos, e o alisamento ainda é considerado um assunto sério. Por meio de diversas práticas insistem em se aproveitar da insegurança que nós mulheres negras sentimos a respeito de nosso valor na sociedade de supremacia branca. Conversando com grupos de mulheres em diversas cidades universitárias e com mulheres negras em nossas comunidades, parece haver um consenso geral sobre a nossa obsessão com o cabelo, que geralmente reflete lutas contínuas com a auto-estima e a auto-realização. Falamos sobre o quanto as mulheres negras percebem seu cabelo como um inimigo, como um problema que devemos resolver, um território que deve ser conquistado. Sobretudo, é uma parte de nosso corpo de mulher negra que deve ser controlado. A maioria de nós não foi criada em ambientes nos quais aprendêssemos a considerar o nosso cabelo como sensual, ou bonito, em um estado não processado. Muitas de nós falamos de situações nas quais pessoas brancas pedem para tocar o nosso cabelo natural e demonstram grande surpresa quando percebem que a textura é suave ou agradável ao toque.
Aos olhos de muita gente branca e outras não negras, o black parece palha de aço ou um casco. As respostas aos estilos de penteado naturais usados por mulheres negras revelam comumente como o nosso cabelo é percebido na cultura branca: não só como feio, como também atemorizante. Nós tendemos a interiorizar esse medo.O grau em que nos sentimos cômodas com o nosso cabelo reflete os nossos sentimentos gerais sobre o nosso corpo.
Em nosso grupo de apoio de mulheres negras, Irmãs do Yam, conversávamos sobre como não gostávamos de nossos corpos, especialmente nossos cabelos. Sugeri ao grupo que considerássemos o nosso cabelo como se ele não fizesse parte do nosso corpo, mas que se percebesse como algo separado, de novo um território que deve ser controlado, domado.
Para mim era importante que fosse vinculada a necessidade de controlar o cabelo com a repressão sexual. Tendo curiosidade sobre o que passavam as mulheres negras que faziam chapinha ou que fizessem amaciamento, permanente ou outras químicas, quando refletiam sobre a relação do cabelo alisado e a prática sexual, perguntei se as pessoas se preocupavam com o cabelo delas, se temiam que seus pares tocassem os seus cabelos. Sempre tive a impressão de que o cabelo alisado chama a atenção pelo desejo de que permaneça no mesmo lugar. Não foi surpreendente que muitas mulheres negras respondessem que se sentiam incomodadas se as pessoas se concentravam e davam muita atenção aos seus cabelos, sentiam como se o seu cabelo estivesse desordenado, fora de controle. Isso porque aquelas de nós que já liberaram o seu cabelo e deixamos que ele se movimente na direção que ele queira, freqüentemente, recebemos comentários negativos.
Olhando fotografias de mim mesma e das minhas irmãs de quando tínhamos o cabelo alisado no segundo grau, percebi que parecíamos ter mais idade do que quando deixamos o cabelo natural. É irônico viver em uma cultura que enfatiza tanto a necessidade das mulheres serem ou parecerem jovens, mas por outro lado incentiva as mulheres negras a mudarem os seus cabelos de maneira tal que parecemos ser mais velhas.
No último semestre, estávamos lendo O Olho mais azul, de Toni Morrison, em uma aula de Literatura. Pedi aos estudantes que escrevessem textos autobiográficos, que refletissem sobre o que eles pensavam sobre a relação entre raça e beleza física. Uma grande maioria das mulheres negras escreveu sobre os seus cabelos. Quando eu perguntei isoladamente a algumas delas porque continuavam alisando o cabelo, muitas atestaram que os penteados naturais não ficavam bonitos nelas, ou que demandavam muito trabalho. Emily, uma das minhas favoritas, de cabelo curto sempre alisava, e eu lhe questionava e desafiava, até que ela me explicou de maneira muito convincente que um penteado natural ficaria horrível no seu rosto, que ela não tinha a fronte nem a estrutura óssea apropriada.
No semestre seguinte, nos reencontramos e ela me contou que durante as férias tinha ido ao salão fazer o permanente e, enquanto esperava, pensou sobre as leituras e as discussões de sala de aula e percebeu que estava realmente muito incomodada e amedrontada com a idéia de que as pessoas achassem que ela não seria mais atraente se não alisasse o cabelo. Reconheceu que esse medo estava enraizado nos sentimentos de baixa auto-estima. Decidiu fazer uma mudança e se surpreendeu, pois estava linda e muito atraente. Conversamos bastante sobre como dói perceber a relação entre a opressão racista e os argumentos que usamos para convencer a nós mesmas e aos outros de que não somos belos ou aceitáveis como somos.
Em inúmeras discussões com mulheres negras sobre o cabelo, ficou constatado um manifesto de que um dos fatores mais poderosos que nos impedem de usarmos o cabelo sem química é o temor de perder a aprovação e a consideração das outras pessoas. As mulheres negras heterossexuais falaram sobre o quanto os homens negros respondem de forma mais favorável quando se tem um cabelo liso ou alisado. Entre as homossexuais, muitas afirmam que não alisavam o cabelo por uma reflexão de que esse gesto estaria vinculado à heterossexualidade e à necessidade de aprovação do macho.
Lembro-me de ter visitado uma amiga com seu par, um homem negro, em Nova York, faz anos, e tivemos uma intensa discussão sobre o cabelo. Ele se encarregou de me dizer que eu poderia ser uma irmã excelente (bonita) se fizesse algo (“dar um jeito”) com o meu cabelo. Por dentro pensei que a minha mãe o tinha contratado. O que me lembro é do espanto quando com calma e entusiasmo garanti que eu gostava do tato no cabelo não processado.
Quando os estudantes lêem sobre raça e beleza física, várias mulheres negras descrevem fases da infância em que estavam atormentadas e obcecadas com a idéia de ter cabelos lisos, já que estavam tão associados à idéia de essas serem desejadas e amadas. Poucas mulheres receberam apoio de suas famílias, amigos(as) e parceiros(as) amorosos(as) quando decidiam não alisar mais o cabelo. E temos várias histórias para contar sobre os conselhos recebidos de todo o mundo, até mesmo de pessoas completamente estanhas, que se sentem gabaritadas para atestar que parecemos mais bonitas se “arrumamos” (alisamos) o cabelo.
Quando eu ia para a minha entrevista de emprego em Yale, conselheiras brancas que nunca haviam feito nenhum comentário sobre o meu cabelo me animaram para que eu não usasse tranças ou um penteado natural grande (black) na entrevista. Elas não disseram “alisa o seu cabelo”, sugeriam que eu mudasse o meu estilo de cabelo de modo tal que parecesse ao máximo ao cabelo delas, indicando certo conformismo. Usei tranças e ninguém pareceu notar. Quando fui contratada, não perguntei se importava ou não que eu usasse tranças. Conto essa história aos meus alunos para que saibam que nem sempre temos de renunciar a nossa capacidade de ser pessoas que se autodefinem para ter sucesso no emprego.
Já percebi que o meu estilo de cabelo às vezes incomoda os estudantes durante as minhas conferências. Certa vez, em uma conferência sobre mulheres negras e liderança, entrei em um auditório repleto com o meu cabelo sem química, fora de controle e desordenado. A grande maioria das mulheres negras que ali estavam tinham o cabelo alisado. Muitas delas foram hostis com olhares de desdém. Senti como se estivesse sendo julgada, como uma marginal, indesejável. Tais julgamentos se fazem especialmente direcionado às mulheres negras nos Estados Unidos que resolvem usar dreads. São consideradas, com toda razão, da antítese do alisamento, o que torna o seu estilo uma decisão política. Freqüentemente, as mulheres negras expressam desprezo por aquelas de nós que escolhemos essa aparência.
Curiosamente, ao mesmo tempo em que o cabelo natural é um motivo de desatenção e desdém, somos testemunhas da volta da moda das pinturas, mechas loiras, cabelo comprido. Em seus escritos, minhas alunas negras descreveram o uso de mechas amarelas em suas cabeças quando eram meninas, para fingir ter o cabelo comprido e loiro. Recentemente as cantoras que estão trabalhando para ser atrativas para a platéia branca, para serem consideradas como artistas que ampliaram o público, usam implantes e apliques para conseguir cabelos compridos e lisos. Parece haver um nexo definido entre a popularidade de uma artista negra com auditórios brancos e o grau em que ela trabalha para parecer branca, ou para encarnar aspectos do estilo branco. Tina Tuner e Aretha Franklin foram percussoras dessa tendência, as duas pintavam o cabelo de loiro. Na vida cotidiana vemos cada vez mais mulheres usando cada vez mais químicas para ter cabelo liso e loiro.
Em uma de minhas conversas que se concentravam na construção social da identidade da mulher negra dentro de uma sociedade sexista e racista, uma mulher negra veio até mim no final da discussão e me contou que sua filha de sete anos de idade estava deslumbrada com a idéia do cabelo loiro, de tal forma que ela havia feito uma peruca que imitava os cachinhos dourados. Essa mãe queria saber o que estava fazendo de errado em sua tutela, já que sua casa era um lugar onde a condição de negro era afirmada e celebrada. Mas ela não havia considerado que o seu cabelo alisado era uma mensagem para a sua filha: nós mulheres negras não somos aceitas a menos que alteremos nossa aparência ou textura do cabelo.
Recentemente conversei com uma de minhas irmãs mais novas sobre o seu cabelo. Ela usa tintura de cores berrantes em diversos tons de vermelho. No que lhe diz respeito, essas escolhas de cabelo pintado e alisado estavam diretamente relacionadas com sentimentos de baixa auto-estima. Ela não gosta dos seus traços e acredita que o estilo de cabelo transforma a sua fisionomia. O que eu percebia era que a escolha dela na realidade chamava mais atenção para a sua fisionomia e era tudo o que ela pretendia ocultar.
Quando ela comentou que com essa aparência ela recebia mais atenção e elogios, sugeri que a reação positiva podia ser resposta direta da sua própria projeção de um alto nível de auto-satisfação. As pessoas podem estar respondendo a isso e não à tentativa de ocultar ou mascarar o seu fenótipo. Conversamos sobre as mensagens que estava mandando para as suas filhas de pele escura: que elas certamente seriam aceitas se alisassem os seus cabelos!
Certo número de mulheres afirmou que essa é uma estratégia de sobrevivência: é mais fácil de funcionar nessa sociedade com o cabelo alisado. Os problemas são menores; ou, como alguns dizem, “dá menos trabalho” por ser mais fácil de controlar e por isso toma menos tempo. Quando respondi a esse argumento em uma discussão em Spelman College, sugeri que talvez o fato de gastar tempo com nós mesmas cuidando de nossos corpos é também um reflexo de uma sensação de que não é importante ou de que nós não merecemos tal cuidado. Nesse grupo e em outros, as mulheres negras falavam de ter sido criadas em famílias que ridicularizavam ou consideravam desperdício gastar muito tempo com a aparência.
Independentemente da maneira como escolhemos individualmente usar o cabelo, é evidente que o grau em que sofremos a opressão e a exploração racistas e sexistas afeta o grau em que nos sentimos capazes tanto de auto-amor quanto de afirmar uma presença autônoma que seja aceitável e agradável para nós mesmas. As preferências individuais (estejam ou não enraizadas na autonegação) não podem escamotear a realidade em que nossa obsessão coletiva com alisar o cabelo negro reflete psicologicamente como opressão e impacto da colonização racista.
Juntos racismo e sexismo nos recalcam diariamente pelos meios de comunicação. Todos os tipos de publicidade e cenas cotidianas nos aferem a condição de que não seremos bonitas e atraentes se não mudarmos a nós mesmas, especialmente o nosso cabelo. Não podemos nos resignar se sabemos que a supremacia branca informa e trata de sabotar nossos esforços por construir uma individualidade e uma identidade.
Como nas lutas organizadas que aconteceram nos anos 1960 e princípios da década de 1970, as mulheres negras, como indivíduos, devemos lutar sozinhas por adquirir a consciência crítica que nos capacite para examinar as questões de raça e beleza e pautar nossas escolhas pessoais de um ponto de vista político.
Existem momentos em que penso em alisar o meu cabelo só por capricho, aí me lembro que, mesmo que esse gesto pudesse ser simplesmente festivo para mim, uma expressão individual de desejo, eu sei que gesto semelhante traria outras implicações que fogem ao meu controle. A realidade é que o cabelo alisado está vinculado historicamente e atualmente a um sistema de dominação racial que é incutida nas pessoas negras, e especialmente nas mulheres negras de que não somos aceitas como somos porque não somos belas.
Fazer esse gesto como uma expressão de liberdade e opção individual me faria cúmplice de uma política de dominação que nos fere. É fácil renunciar a essa liberdade. É mais importante que as mulheres façam resistência ao racismo e ao sexismo que se dissemina pelos meios de comunicação, e tratarem para que todo aspecto da nossa auto-representação seja uma feroz resistência, uma celebração radical de nossa condição e nosso respeito por nós mesmas.
Mesmo não tendo usado o cabelo alisado por muito tempo, isso não significa que eu era capaz de desfrutar ou realmente apreciar meu cabelo em estado natural. Durante anos, ainda considerava isso um problema. Ele não era natural o suficiente, crespo o necessário para fazer um black interessante e decente, o cabelo era muito fino. Essas queixas expressavam a minha continua insatisfação. A verdadeira liberação do meu cabelo veio quando parei de tentar controlar em qualquer estado e o aceitei como era.
Só há poucos anos é que deixei de me preocupar com o quê os outros possam dizer sobre o meu cabelo. Só nesses últimos anos foi que eu sentir consecutivamente o prazer lavando, penteando e cuidando do meu cabelo. Esses sentimentos me lembram o aconchego e o deleite que eu sentia quando menina, sentada entre as pernas de minha mãe, sentindo o calor do seu corpo e do seu ser enquanto ela penteava e trançava o meu cabelo.
Em uma cultura de dominação e antiintimidade, devemos lutar diariamente por permanecer em contato com nos mesmos e com os nossos corpos, uns com os outros. Especialmente as mulheres negras e os homens negros, já que são nossos corpos os que freqüentemente são desmerecidos, menosprezados, humilhados e mutilados em uma ideologia que aliena. Celebrando os nossos corpos, participamos de uma luta libertadora que libera a mente e o coração.
Plus>
Chris Rock pensou em mim na hora de produzir este documentário?
Talvez . . . rs*
Sempre fui extremamente atenciosa com relação ao meu cabelo, desde pequena escolhia as fitas e exigia o pente quente toda semana. Minha madrinha me chamava de negrinha faceira e vaidosa.
Se fechar os olhos consigo ter todas as sensações do ritual;
calor, eu sentada entre as pernas da mãe - quando doia ela me segurava com força, me apertando com os joelhos.
o aroma do óleo de lavanda, era bom . . . exalava mais forte quando fritava em contato com o pente quente . . .
o barulho entre um passada e outra . . . *txiiii* "é pra ficar bem liso, né mãe?!"
Com 6 anos, a primeira química *Thanks Lord meu cabelo nunca caiu! rs* . . . depois alongamentos, tranças . . . química, tranças de novo . . . alonga . . . alisa . . . enrola . . . relaxa . . . em hoje praticamente cuido sozinha dos meus cabelos. 1 mix de curiosidade, dom e interesse me permitem tal façanha . . . e sinto 1 prazer enorme nisso!
Hoje é por mim . . . tem que ser liso ou tem q ser trançado ou . . . ou . . . ou . . . TEM QUE SER DA MANEIRA QUE EU ME SINTA BEM.
Canal do documentário no Utube, diversos vídeos do documentário disponíveis
2.7.10
This time for Africa!
13.5.10
13 DE MAIO: COMEMORAR O QUÊ?
Jaqueline Lima Santos
O Brasil, ultimo país a abolir a escravidão nas Américas, aquele que explorou aproximadamente 4 dos 10 milhões de africanas e africanos que foram trazidos para exercer trabalho escravo desse lado do Atlântico, possui hoje o maior número de população negra fora do continente africano.
Estamos aqui para falar de negras e negros como sujeitos políticos no período da escravidão. Todo mundo sabe que no Brasil existiu mais de três séculos de exploração, violência e desumanização das(os) não brancas(os) pela colonização européia, mas o que a história não conta é que as(os) negras(os) também eram agentes frente às formas de opressão, que não eram “coisa”, e sim “ser” diante do sistema escravocrata.
Antes da chegada do 13 de maio, a população negra organizou diferentes movimentos de resistência, através da formação dos quilombos, das irmandades, dos trabalhos urbanos, rebeliões nas senzalas, além das diversas revoltas: Malês, Balaiada, Sabinada, entre outras, e foram protagonistas da primeira tentativa de independência no país, através da formação do Quilombo de Palmares, este que sobreviveu mais de 100 anos como um Estado organizado e independente, derrotou por diversas vezes o exército colonial, até que, depois de diversas tentativas, foi invadido e vencido covardemente em 1695 pelo exército de Domingos Jorge Velho.
Vale lembrar que as mulheres negras tiveram papel fundamental nesses movimentos de resistência negra, exercendo papel de líderes, estrategistas, guerreiras, informantes e organizaram as alternativas criadas pelas(os) negras(os) frente ao Estado colonial.
A população negra dinamizou a história do Brasil, não aceitando a condição de escravizada, estabeleceu contra-movimentos e foi conquistando aos poucos sua liberdade, seja através de fugas, ou através da compra de cartas de alforria, e no 13 de maio de 1888, quando a Princesa Isabel assina a leia Áurea, apenas 5% da população negra ainda exercia trabalho escravo. No entanto, é dado o bônus pelo fim da escravidão a princesa boazinha que “libertou os negros”, e nada se fala da luta das(os) negras(os) pela sua liberdade. A lei áurea foi uma estratégia para desmobilizar a população negra que, a exemplo do Haiti, em algum momento, através das explosões constantes de rebeliões, tomaria o Estado brasileiro. Além disso, o processo de industrialização no país exigia a passagem do trabalho escravo ao trabalho livre, só assim o empregador poderia comprar a força de trabalho de acordo com as suas necessidades, e quando contratada, custaria os meios de subsistência do trabalhador.
O que aconteceu a partir de 14 de maio de 1888? A população negra não foi indenizada pelos três séculos e meio de escravidão, as senzalas sobem para os morros, onde hoje se localizam as favelas. A partir de então a imigração européia é incentivada para o Brasil, a fim de ocupar os postos de trabalho assalariado e embranquecer o país, havia até quem acreditasse que em 100 anos não haveriam mais negros no Brasil, e olha nós aqui. Mesmo reconhecendo que estes novos imigrantes foram explorados na venda da sua força de trabalho, eles estavam em condições favoráveis em relação à população negra, através das políticas de doação de terras e moradias que os eram direcionadas, além de serem priorizadas(os) nos postos de trabalho.
Por isso hoje, mesmo a lei áurea tendo marcado “oficialmente” a passagem da(o) negra(o) da condição de escrava(o) a cidadã(o), o que não garantiu nenhum direito da cidadania brasileira a esta parcela da população, que até os dias de hoje encontra-se em condições extremamente desiguais em relação a população branca, o movimento negro no Brasil não comemora o dia 13 de maio, mas tornou essa data o DIA NACIONAL DE DENÚNCIA CONTRA O RACISMO, e comemora o dia 20 DE NOVEMBRO COMO DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA, dia em que morreu Zumbi dos Palmares, mais um dia de luta para a luta de todos os dias.
Hoje, 122 anos após a abolição inacabada, não temos o que comemorar. Queremos nossas carteiras de trabalho assinadas, queremos reparações ações afirmativas nas universidades, queremos punições contra os crimes de racismo, e colocamos o Estado brasileiro no banco dos réus.
Jaqueline Lima Santos é Mestranda em Antropologia pelo Departamento de Ciências Sociais da UNESP - Marília; Pesquisadora do NUPE - Núcleo Negro da UNESP para Pesquisa e Extensão
MNU - SP/ FH2I . . . e minha ameeeegaaaa [ ai que orgulho! ].
12.5.10
Barbies negras ganham exposição inédita

Exposição no Shopping Pátio Higienópolis celebra os 30 anos de criação da primeira Barbie negra e faz uma homenagem a beleza feminina.

A partir de quinta-feira (13/5) a boneca mais conhecida do mundo ganha em São Paulo uma exposição inédita - mas em uma versão diferente do que se costuma imaginar quano o assunto é a Barbie. Trata-se da comemoração de 30 anos de criação da primeira boneca negra da marca. Na exposição “Black Barbie”, 80 exemplares raros contam a trajetória do brinquedo, que surgiu na década de 80. A mostra apresenta também a nova linha de bonecas negras da Mattel – So In Style (S.I.S) – na qual os modelos têm lábios mais grossos, nariz mais largo, maçãs do rosto proeminentes e cabelo encaracolado. A nova coleção chega ao mercado no dia 13 de maio e cada boneca custará R$ 50. “É uma linha que mostra a evolução de bonecas negras na linha Barbie e revela toda a cultura negra atual”, diz Ana Furtado, gerente da Divisão Girls da Mattel do Brasil.

A mostra tem ainda um modelo único de Barbie negra customizada pelo estilista brasileiro Wilson Ranieri. No figurino criado por ele, a boneca usa um elegante vestido confeccionado com a técnica de moulage, no qual a montagem da roupa é feita diretamente sobre o manequim.

Exposição Black Barbie. Shopping Pátio Higienópolis. Av. Higienópolis, 618, São Paulo. Abre quinta (13/5), 10h/22h. Entrada Gratuita. Tel. (11) 3823-2662. Até 26/5.
Control C
7.4.10
Nossa . . . como cai bem, hein?!
Os Zulus de terno, Dandies Africanos & o Rimador mais elegante!
Nosso rap de cada dia hoje sai dos players e vai parar no Youtube e MTV. Agora chegou do rapper Rincon Sapiência, o clipe da música “Elegância” foi lançado semana passada e teve grande destaque e repercursão nas redes sociais.
“. . . pago pouco pelos panos mas sou vaidoso. . .”, “as mina devem pensar: que neguim metido”, são versos que o Rincón manda . . . Mas saindo daqui da terra brasilis e indo lá pra mãe Africa, também encontraremos uns pretos bem trajados, elegantes e charmosos.
Não pagam pouco pelos panos, pelo contrário, os Sapeurs - como são chamados os seguidores da cultura SAPE - pagam até 100.000 francos congoleses, aproximadamente R$380,00 por roupas usadas de grifes francesas, como Pierre Cardin, Carducci, Jean Pierre entre outros nomes que precisamos fazer biquinho para pronunciar; para se ter uma idéia do peso dessa cultura por lá, os ternos chegam a entram para os testamentos da família.
A cultura SAPE originou-se na região de Congo Brazzaville como imitação do estilo dos colonizadores belgas e franceses. A sigla significa Société des Ambianceurs et des Personnes Élégantes - em tradução livre: Sociedade dos “Ditadores de Tendência” / “Formadores de Opinião” e das Pessoas Elegantes. A extravagente maneira que os congoleses encontraram para fugir do triste cotidiano de pobreza, rendeu até um livro chamado "Gentlemen of Bakongo: The African Dandies".
Considerados artistas em suas comunidades, eles têm real admiração e respeito de seu povo; além de arrancarem uns suspiros das negas, pois é regra estarem elegantes e charmosos todos os dias . . . serem cavalheiros e gentis com todos a sua volta . . aí já viu, né? ! Outro preceito é não abusar das cores: “são três, no máximo, em cada produção”. Mas você observará que também não há a ausência delas. Combinam as meias com a gravata, o chapéu . . . usam as cores como elemento fundamental nas produções.
Sem o glamour que rodeia os sapeurs, porém não menos elegantes, são os Swenkas, grupo de homens de características e vestimentas semelhantes na região sul da África. Eles se reúnem nas noites de sábado, trajados impecavelmente, e avaliados pela aparência e apresentação por um júri selecionado.
São trabalhadores comuns e freqüentemente acumulam prestações para permanecerem no seleto grupo.
Mas não pensem que suas mulheres fazem barraco quando seus maridos não pagam a conta de água e luz, só para manter a elegância. Isso é motivo de orgulho para elas, portanto: sem água, sem luz, mas elegante . . . tá tudo certo!
Ser um Swenka rende uns tostões, mas normalmente o valor do prémio é destinado à compra de novas roupas. Geralmente, tais concursos valem prêmios em dinheiro. Em ocasiões especiais, como o natal, os prêmios são mais valiosos: costumam ser oferecidos relógios de ouro, cabras e até vacas aos vencedores.
Elegante na corridda pra ganhar uns mango
E aí, achou que cai bem?
+ do mesmo / créditos
+fotos
Complemento
Vice Revista eletrônica
Blog Brands Club
Documentário The Swenkas (2004)
Na minha vitrola: Elegância - Rincon . . . pra inspirar, né?
Para o site Quilombo Hip Hop
24.2.10
Pede desculpa!
Os Crespos - Comercial V from Leandro Goddinho on Vimeo.
Texto e Interpretação: Lucelia Sergio
Os Crespos - Comercial II from Leandro Goddinho on Vimeo.
Texto e Interpretação: Joyce Barbosa
Os Crespos - Comercial from Leandro Goddinho on Vimeo.
Texto e Interpretação: Sidney Santiago
Os Crespos - Desculpa from Leandro Goddinho on Vimeo.
Vídeos produzidos pela Cia. de teatro "Os Crespos"
Camera: Dênis Arrepol
Montagem e Direção: Leandro Goddinho
Produzido originalmente para o projeto de intervenções públicas do grupo "Os Crespos" com o tema DOR.
Out/2009.
Sobre "Os Crespos"
A Cia. Teatral Os Crespos [[Gal Quaresma, Lucélia Sérgio, Mawusi Tulani e Sidney Santiago]] surgiu nas dependências de uma das mais importantes escola de interpretação do país, a Escola de Arte Dramática da USP instituição esta, que fora fundada por Alfredo Mesquita em atividade desde 1948. No ano de 2004, acontece um feito inédito na EAD, ingressam cinco alunos negros, e três no ano seguinte. Houve uma organização desses alunos, que tinham em comum a vontade de discutir a sua formação e como foco estudar a história do negro nas artes cênicas e nos multimeios no Brasil, numa instituição em que esta discussão não existia. [via geledes]
Voltarei a falar sobre eles em outro post*
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17.2.10
homem preto de valor : Ozwald Boateng | Updated*
O que Samuel L. Jackson, Mick Jagger, Jamie Foxx, Will Smith, Keanu Reeves e Obama têm em comum?
Hey . . . psiu . . . sem pensar besteira , pq este é 1 blog de família!
A resposta é que todos eles vestem Ozwald Boateng!

Natural de Gana, Ozwald começou vendendo roupas desenhadas pela mãe na rua onde começou a ficar claro o talento do garoto, até então com 23 anos. Mas foi em 1994 que ele realizou seu grande sonho: abriu sua própria loja na Rua Vigo, no final da Savile Row. Dali para frente, sua carreira andou a passos de gigante, sendo condecorado pela Coroa Britânica e nomeado Personalidade da Moda no ano de 2008 pela Mayfair Times Awards.
Mas para ser 1 homem preto de valor isso não basta . . . vou ser criteriosa nessa nova coluna!
Ozwald Boateng tem predicados para tal título!
O pretão é um dos fundadores do "Made in África" - instituição que levará ao continente africano diversos programas de desenvolvimento e infra-estrutura, através de parcerias e negociações com empresas.
Explico . . . "Introduzir capitais e tecnologias sustentáveis para a África, principalmente no setor bancário, o bio-diesel e imobiliário", está a missão da Made in Africa.
E ele diz que que resolveu entrar em ação por amor à África e que pretende usar toda bagagem e influência em prol do continente!
Sim, preenche os requisitos para 1 homem preto de valor!
Plus > Ozwald está entre os grandes homens escolhidos a dedo para nova campanha da Johnnie Walker entitulada "Walk with Giants".
A campanha gira em torno de 1 conversa boa enquanto se caminha, onde cada um deles conta suas histórias, superações e afins.
Vou deixar aqui o vídeo da primeira parte da conversa com nosso já amigo Vadão!
Em Espanhol
UPDATED!
15/07/15
Na ocasião que desenvolvi o texto desconhecia o fato de que em 2003 o pretão também foi diretor da ala masculina da Givenchi, ficando no cargo por 3 anos.
Para homenageá-lo, a fofa da Givenchi [ pago pau mesmo... desenvolvem 1 p*t* trabalho de branding!] fez um mangá em que Boateng enfrenta altas aventuras e confusões com uma turminha da pesada!
Hey . . . psiu . . . sem pensar besteira , pq este é 1 blog de família!
A resposta é que todos eles vestem Ozwald Boateng!

Natural de Gana, Ozwald começou vendendo roupas desenhadas pela mãe na rua onde começou a ficar claro o talento do garoto, até então com 23 anos. Mas foi em 1994 que ele realizou seu grande sonho: abriu sua própria loja na Rua Vigo, no final da Savile Row. Dali para frente, sua carreira andou a passos de gigante, sendo condecorado pela Coroa Britânica e nomeado Personalidade da Moda no ano de 2008 pela Mayfair Times Awards.
Mas para ser 1 homem preto de valor isso não basta . . . vou ser criteriosa nessa nova coluna!
Ozwald Boateng tem predicados para tal título!
O pretão é um dos fundadores do "Made in África" - instituição que levará ao continente africano diversos programas de desenvolvimento e infra-estrutura, através de parcerias e negociações com empresas.
Explico . . . "Introduzir capitais e tecnologias sustentáveis para a África, principalmente no setor bancário, o bio-diesel e imobiliário", está a missão da Made in Africa.
E ele diz que que resolveu entrar em ação por amor à África e que pretende usar toda bagagem e influência em prol do continente!
Sim, preenche os requisitos para 1 homem preto de valor!
Plus > Ozwald está entre os grandes homens escolhidos a dedo para nova campanha da Johnnie Walker entitulada "Walk with Giants".
A campanha gira em torno de 1 conversa boa enquanto se caminha, onde cada um deles conta suas histórias, superações e afins.
Vou deixar aqui o vídeo da primeira parte da conversa com nosso já amigo Vadão!
UPDATED!
15/07/15
Na ocasião que desenvolvi o texto desconhecia o fato de que em 2003 o pretão também foi diretor da ala masculina da Givenchi, ficando no cargo por 3 anos.
Para homenageá-lo, a fofa da Givenchi [ pago pau mesmo... desenvolvem 1 p*t* trabalho de branding!] fez um mangá em que Boateng enfrenta altas aventuras e confusões com uma turminha da pesada!
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