Kelendria Trene Rowland, a.k.a Kelly Rowland - minha Destiny's Girl favorita - lançará em breve uma linha de maquiagens exclusivas para pele negra, a qual vem chamando carinhosamente de "Chocolate Girl's MakeUp".
A linha conta com a colaboração de Sheika Daley; maquiadora conceituada que arrasa no make das pretas gringas e queridinha de Nicki Minaj. Kelly e Sheika ainda não citam datas, mas dizem estar trabalhando pesado para nos surpreender!
Vamos orar com fervor para a Imaculada Nossa Senhora da Necessarie para que a novidade saia logo e para o dólar baixar... Amém?! Amém!
"Acreditar que só assumir os cabelos naturais é a única coisa necessária para empoderar a mulher negra é esquecer que essa ainda está na busca pelo seu reconhecimento e valorização em outras áreas que vão além da estética.
Apostar que somente o visual poderá resolver os problemas da mulher negra é não olhar as demais lutas travadas ao longo da história."
A modelo Nykhor Paul decidiu, na última segunda-feira (6), expor uma face não tão glamourosa da indústria da moda. Em um longo texto dirigido às "queridas pessoas brancas do mundo da moda" e publicado na sua conta pessoal em uma rede social, a jovem de 25 anos do Sudão do Sul criticou os maquiadores profissionais das mais importantes Semanas de Moda Internacionais pelo despreparo para cuidar da pele negra. Segundo Nykhor, que já desfilou para marcas de prestígio como Vivienne Westwood, Balenciaga e Rick Owens e fez campanha para Louis Vuitton, o tratamento recebido pelas modelos brancas é diferenciado, pois elas não precisam levar a própria maquiagem para o camarim antes do desfile. Rapidamente, a modelo recebeu o apoio de seus seguidores e o post já alcançou mais de 3.600 curtidas.
Uma foto publicada por Kyemah McEntyre (@mindofkye) em
Depois de sofrer bullying no ensino médio, sendo rotulada como "feia", a norte-americana Kyemah McEntyre, 18, decidiu dar uma resposta aos seus detratores. Como forma de superar o passado, ela decidiu usar estampas de inspiração étnica no vestido de formatura que ela mesma desenhou. Sua atitude fez tanto sucesso que ela foi eleita a rainha do baile e ganhou as redes sociais.
Uma foto publicada por Kyemah McEntyre (@mindofkye) em
"Tenho 18 anos e sou sem dúvidas descendente de africanos. Como artista, tenho um ponto de vista completamente diferente da maioria das pessoas", explicou a garota em seu perfil do Instagram.
Uma foto publicada por Kyemah McEntyre (@mindofkye) em
O processo também serviu como uma forma de empoderamento, conta Kyemah: "Nós impedimos nosso crescimento espiritual, ao permitirmos que suposições e estereótipos perturbem nossa mente e, por consequência, a imagem que temos dos nossos corpos", conta. "Não deixe que ninguém te defina. Coisas maravilhosas acontecem quando você tem orgulho de si mesma", escreveu.
Apesar das diversas mudanças na política racial, as mulheres negras continuam obcecadas com os seus cabelos, e o alisamento ainda é considerado um assunto sério. Insistem em se aproveitar da insegurança que nós mulheres negras sentimos com respeito a nosso valor na sociedade de supremacia branca!
Nas manhãs de sábado, nos reuníamos na cozinha para arrumar o cabelo, quer dizer, para alisar os nossos cabelos. Os cheiros de óleo e cabelo queimado misturavam-se com os aromas dos nossos corpos acabados de tomar banho e o perfume do peixe frito.
Não íamos ao salão de beleza. Minha mãe arrumava os nossos cabelos. Seis filhas: não havia a possibilidade de pagar cabeleireira. Naqueles dias, esse processo de alisar o cabelo das mulheres negras com pente quente (inventado por Madame C. J. Waler) não estava associado na minha mente ao esforço de parecermos brancas, de colocar em prática os padrões de beleza estabelecidos pela supremacia branca. Estava associado somente ao rito de iniciação de minha condição de mulher. Chegar a esse ponto de poder alisar o cabelo era deixar de ser percebida como menina (a qual o cabelo podia estar lindamente penteado e trançado) para ser quase uma mulher. Esse momento de transição era o que eu e minhas irmãs ansiávamos.
Fazer chapinha era um ritual da cultura das mulheres negras, um ritual de intimidade. Era um momento exclusivo no qual as mulheres (mesmo as que não se conheciam bem) podiam se encontrar em casa ou no salão para conversar umas com as outras, ou simplesmente para escutar a conversa. Era um mundo tão importante quanto a barbearia dos homens, cheia de mistério e segredo.
Tínhamos um mundo no qual as imagens construídas como barreiras entre a nossa identidade e o mundo eram abandonadas momentaneamente, antes de serem reestabelecidas. Vivíamos um instante de criatividade, de mudança.
Eu queria essa mudança mesmo sabendo que em toda a minha vida me disseram que eu era “abençoada” porque tinha nascido com “cabelo bom” – um cabelo fino, quase liso –, não suficientemente bom, mais ainda assim era bom. Um cabelo que não tinha o “pé na senzala”, não tinha carapinha, essa parte na nuca onde o pente quente não consegue alisar. Mas esse “cabelo bom” não significava nada para mim quando se colocava como uma barreira ao meu ingresso nesse mundo secreto da mulher negra.
Eu regozijei de alegria quando a minha mãe finalmente decretou que eu poderia me somar ao ritual de sábado, não mais como observadora, mas esperando pacientemente a minha vez. Sobre este ritual escrevi o seguinte:
Para cada uma de nós, passar o pente quente é um ritual importante. Não é um símbolo de nosso anseio em tornar-nos brancas. Não existem brancos no nosso mundo íntimo. É um símbolo de nosso desejo de sermos mulheres.
É um gesto que mostra que estamos nos aproximando da condição de mulher [...] Antes que se alcance a idade apropriada, usaremos tranças; tranças que são símbolo de nossa inocência, juventude, nossa meninice. Então, as mãos que separam, penteiam e traçam nos confortam. A intimidade e a sina nos confortam.
Existe uma intimidade tamanha na cozinha aos sábados quando se alisa o cabelo, quando se frita o peixe, quando se fazem rodadas de refrigerante, quando a música soul flutua sobre a conversa.
É um instante sem os homens. Um tempo em que trabalhamos como mulheres para satisfazer umas as necessidades das outras, para nos proporcionarmos um bem-estar interior, um instante de alegrias e boas conversas.
Levando em consideração que o mundo em que vivíamos estava segregado racialmente, era fácil desvincular a relação entre a supremacia branca e a nossa obsessão pelo cabelo. Mesmo sabendo que as mulheres negras com cabelo liso eram percebidas como mais bonitas do que as que tinham cabelo crespo e/ou encaracolado, isso não era abertamente relacionado com a idéia de que as mulheres brancas eram um grupo feminino mais atrativo ou de que seu cabelo liso estabelecia um padrão de beleza que as mulheres negras estavam lutando para colocar em prática.
Esse momento é um marco histórico e ideológico do qual emergiu o processo de alisamento do cabelo de mulheres negras. Esse processo foi ampliado de maneira tal que estabeleceu um espaço real de formação de íntimos vínculos pessoais da mulher negra mediante uma experiência ritualística compartilhada.
O salão de beleza era um espaço de aumento da consciência, um espaço em que as mulheres negras compartilhavam contos, lamúrias, atribulações, fofocas – um lugar onde se poderia ser acolhida e renovar o espírito.
Para algumas mulheres, era um lugar de descanso em que não se teria de satisfazer as exigências das crianças ou dos homens. Era a hora em que algumas teriam sossego, meditação e silêncio. Entretanto, essas implicações positivas do ritual do alisamento do cabelo ponderavam, mas não alteravam as implicações negativas. Essas existiam concomitantemente.
Dentro do patriarcado capitalista – o contexto social e político em que surge o costume entre os negros de alisarmos os nossos cabelos –, essa postura representa uma imitação da aparência do grupo branco dominante e, com freqüência, indica um racismo interiorizado, um ódio a si mesmo que pode ser somado a uma baixa auto-estima.
Durante os anos 1960, os negros que trabalhavam ativamente para criticar, desafiar e alterar o racismo branco, sinalavam a obsessão dos negros com o cabelo liso como um reflexo da mentalidade colonizada. Foi nesse momento em que os penteados afros, principalmente o black, entraram na moda como um símbolo de resistência cultural à opressão racista e fora considerado uma celebração da condição de negro(a).
Os penteados naturais eram associados à militância política. Muitos(as) jovens negros(as), quando pararam de alisar o cabelo, perceberam o valor político atribuído ao cabelo alisado como sinal de reverência e conformidade frente às expectativas da sociedade.
Entretanto, quando as lutas de libertação negra não conduziram à mudança revolucionária na sociedade, não se deu mais tanta atenção à relação política entre a aparência e a cumplicidade com o segregacionismo branco, e aqueles que outrora ostentavam os seus blacks começaram a alisar o cabelo.
Sem ficar atrás dessa manobra para suprimir a consciência negra e os esforços das pessoas negras por serem sujeitos que se autodefinem, as empresas brancas começaram a reconhecer os negros, e de maneira especialíssima, às mulheres negras, como consumidoras potenciais de produtos que poderiam ser subministrados, incluindo aqueles para os cuidados com o cabelo. Permanentes especialmente concebidos para as mulheres negras eliminaram a necessidade do pente quente e da chapinha. Esses permanentes não só custavam mais caro, mas também levavam todas as economias e ganâncias das comunidades negras, especificamente dos bolsos das mulheres negras que anteriormente colhiam benefícios materiais (ver Como o Capitalismo Desenvolveu a América Negra, de Manning Marable, South End Pree).
O contexto do ritual havia desaparecido, não haveria mais a formação de vínculos íntimos e pessoais entre as mulheres negras. Sentadas embaixo de secadores barulhentos, as mulheres negras perderam um espaço para o diálogo, para a conversa criativa.
Desposadas desses rituais de formação de íntimos vínculos pessoais positivos, que rodeavam tradicionalmente a experiência, o alisamento parecia cada vez mais um significante da opressão e da exploração da ditadura branca.
O alisamento era claramente um processo no qual as mulheres negras estavam mudando a sua aparência para imitar a aparência dos brancos. Essa necessidade de ter a aparência mais parecida possível à dos brancos, de ter um visual inócuo, está relacionada com um desejo de triunfar no mundo branco. Antes da integração, os negros podiam se preocupar menos sobre o que os brancos pensavam sobre o seu cabelo.
Em discussão sobre a beleza com mulheres negras em Spelman College, as estudantes falavam sobre a importância de ter o cabelo liso quando se procura um emprego. Estavam convencidas, e provavelmente com toda a razão, de que sua oportunidade de encontrar bons empregos aumentaria se tivessem cabelo alisado. Quando se pediam mais detalhes sobre essa assertiva, essas mulheres se concentravam na conexão entre as políticas radicais e os penteados naturais, seja com ou sem tranças. Uma jovem que tinha o cabelo natural e curto falava até mesmo em comprar uma peruca de cabelo liso e comprido na hora de procurar emprego.
Nenhuma das participantes pensava na possibilidade de que nós mulheres negras éramos livres para usar os nossos cabelos naturais sem refletir sobre as possíveis conseqüências negativas. Com freqüência, os adultos negros, os mais velhos, especialmente os pais, respondiam negativamente aos penteados naturais. Contei ao grupo que, quando cheguei em casa com o cabelo trançado logo após conseguir um emprego em Yale, os meus pais me disseram que eu tinha um aspecto desagradável.
Apesar das diversas mudanças na política racial, as mulheres negras continuam obcecadas com os seus cabelos, e o alisamento ainda é considerado um assunto sério. Por meio de diversas práticas insistem em se aproveitar da insegurança que nós mulheres negras sentimos a respeito de nosso valor na sociedade de supremacia branca. Conversando com grupos de mulheres em diversas cidades universitárias e com mulheres negras em nossas comunidades, parece haver um consenso geral sobre a nossa obsessão com o cabelo, que geralmente reflete lutas contínuas com a auto-estima e a auto-realização. Falamos sobre o quanto as mulheres negras percebem seu cabelo como um inimigo, como um problema que devemos resolver, um território que deve ser conquistado. Sobretudo, é uma parte de nosso corpo de mulher negra que deve ser controlado. A maioria de nós não foi criada em ambientes nos quais aprendêssemos a considerar o nosso cabelo como sensual, ou bonito, em um estado não processado. Muitas de nós falamos de situações nas quais pessoas brancas pedem para tocar o nosso cabelo natural e demonstram grande surpresa quando percebem que a textura é suave ou agradável ao toque.
Aos olhos de muita gente branca e outras não negras, o black parece palha de aço ou um casco. As respostas aos estilos de penteado naturais usados por mulheres negras revelam comumente como o nosso cabelo é percebido na cultura branca: não só como feio, como também atemorizante. Nós tendemos a interiorizar esse medo.O grau em que nos sentimos cômodas com o nosso cabelo reflete os nossos sentimentos gerais sobre o nosso corpo.
Em nosso grupo de apoio de mulheres negras, Irmãs do Yam, conversávamos sobre como não gostávamos de nossos corpos, especialmente nossos cabelos. Sugeri ao grupo que considerássemos o nosso cabelo como se ele não fizesse parte do nosso corpo, mas que se percebesse como algo separado, de novo um território que deve ser controlado, domado.
Para mim era importante que fosse vinculada a necessidade de controlar o cabelo com a repressão sexual. Tendo curiosidade sobre o que passavam as mulheres negras que faziam chapinha ou que fizessem amaciamento, permanente ou outras químicas, quando refletiam sobre a relação do cabelo alisado e a prática sexual, perguntei se as pessoas se preocupavam com o cabelo delas, se temiam que seus pares tocassem os seus cabelos. Sempre tive a impressão de que o cabelo alisado chama a atenção pelo desejo de que permaneça no mesmo lugar. Não foi surpreendente que muitas mulheres negras respondessem que se sentiam incomodadas se as pessoas se concentravam e davam muita atenção aos seus cabelos, sentiam como se o seu cabelo estivesse desordenado, fora de controle. Isso porque aquelas de nós que já liberaram o seu cabelo e deixamos que ele se movimente na direção que ele queira, freqüentemente, recebemos comentários negativos.
Olhando fotografias de mim mesma e das minhas irmãs de quando tínhamos o cabelo alisado no segundo grau, percebi que parecíamos ter mais idade do que quando deixamos o cabelo natural. É irônico viver em uma cultura que enfatiza tanto a necessidade das mulheres serem ou parecerem jovens, mas por outro lado incentiva as mulheres negras a mudarem os seus cabelos de maneira tal que parecemos ser mais velhas.
No último semestre, estávamos lendo O Olho mais azul, de Toni Morrison, em uma aula de Literatura. Pedi aos estudantes que escrevessem textos autobiográficos, que refletissem sobre o que eles pensavam sobre a relação entre raça e beleza física. Uma grande maioria das mulheres negras escreveu sobre os seus cabelos. Quando eu perguntei isoladamente a algumas delas porque continuavam alisando o cabelo, muitas atestaram que os penteados naturais não ficavam bonitos nelas, ou que demandavam muito trabalho. Emily, uma das minhas favoritas, de cabelo curto sempre alisava, e eu lhe questionava e desafiava, até que ela me explicou de maneira muito convincente que um penteado natural ficaria horrível no seu rosto, que ela não tinha a fronte nem a estrutura óssea apropriada.
No semestre seguinte, nos reencontramos e ela me contou que durante as férias tinha ido ao salão fazer o permanente e, enquanto esperava, pensou sobre as leituras e as discussões de sala de aula e percebeu que estava realmente muito incomodada e amedrontada com a idéia de que as pessoas achassem que ela não seria mais atraente se não alisasse o cabelo. Reconheceu que esse medo estava enraizado nos sentimentos de baixa auto-estima. Decidiu fazer uma mudança e se surpreendeu, pois estava linda e muito atraente. Conversamos bastante sobre como dói perceber a relação entre a opressão racista e os argumentos que usamos para convencer a nós mesmas e aos outros de que não somos belos ou aceitáveis como somos.
Em inúmeras discussões com mulheres negras sobre o cabelo, ficou constatado um manifesto de que um dos fatores mais poderosos que nos impedem de usarmos o cabelo sem química é o temor de perder a aprovação e a consideração das outras pessoas. As mulheres negras heterossexuais falaram sobre o quanto os homens negros respondem de forma mais favorável quando se tem um cabelo liso ou alisado. Entre as homossexuais, muitas afirmam que não alisavam o cabelo por uma reflexão de que esse gesto estaria vinculado à heterossexualidade e à necessidade de aprovação do macho.
Lembro-me de ter visitado uma amiga com seu par, um homem negro, em Nova York, faz anos, e tivemos uma intensa discussão sobre o cabelo. Ele se encarregou de me dizer que eu poderia ser uma irmã excelente (bonita) se fizesse algo (“dar um jeito”) com o meu cabelo. Por dentro pensei que a minha mãe o tinha contratado. O que me lembro é do espanto quando com calma e entusiasmo garanti que eu gostava do tato no cabelo não processado.
Quando os estudantes lêem sobre raça e beleza física, várias mulheres negras descrevem fases da infância em que estavam atormentadas e obcecadas com a idéia de ter cabelos lisos, já que estavam tão associados à idéia de essas serem desejadas e amadas. Poucas mulheres receberam apoio de suas famílias, amigos(as) e parceiros(as) amorosos(as) quando decidiam não alisar mais o cabelo. E temos várias histórias para contar sobre os conselhos recebidos de todo o mundo, até mesmo de pessoas completamente estanhas, que se sentem gabaritadas para atestar que parecemos mais bonitas se “arrumamos” (alisamos) o cabelo.
Quando eu ia para a minha entrevista de emprego em Yale, conselheiras brancas que nunca haviam feito nenhum comentário sobre o meu cabelo me animaram para que eu não usasse tranças ou um penteado natural grande (black) na entrevista. Elas não disseram “alisa o seu cabelo”, sugeriam que eu mudasse o meu estilo de cabelo de modo tal que parecesse ao máximo ao cabelo delas, indicando certo conformismo. Usei tranças e ninguém pareceu notar. Quando fui contratada, não perguntei se importava ou não que eu usasse tranças. Conto essa história aos meus alunos para que saibam que nem sempre temos de renunciar a nossa capacidade de ser pessoas que se autodefinem para ter sucesso no emprego.
Já percebi que o meu estilo de cabelo às vezes incomoda os estudantes durante as minhas conferências. Certa vez, em uma conferência sobre mulheres negras e liderança, entrei em um auditório repleto com o meu cabelo sem química, fora de controle e desordenado. A grande maioria das mulheres negras que ali estavam tinham o cabelo alisado. Muitas delas foram hostis com olhares de desdém. Senti como se estivesse sendo julgada, como uma marginal, indesejável. Tais julgamentos se fazem especialmente direcionado às mulheres negras nos Estados Unidos que resolvem usar dreads. São consideradas, com toda razão, da antítese do alisamento, o que torna o seu estilo uma decisão política. Freqüentemente, as mulheres negras expressam desprezo por aquelas de nós que escolhemos essa aparência.
Curiosamente, ao mesmo tempo em que o cabelo natural é um motivo de desatenção e desdém, somos testemunhas da volta da moda das pinturas, mechas loiras, cabelo comprido. Em seus escritos, minhas alunas negras descreveram o uso de mechas amarelas em suas cabeças quando eram meninas, para fingir ter o cabelo comprido e loiro. Recentemente as cantoras que estão trabalhando para ser atrativas para a platéia branca, para serem consideradas como artistas que ampliaram o público, usam implantes e apliques para conseguir cabelos compridos e lisos. Parece haver um nexo definido entre a popularidade de uma artista negra com auditórios brancos e o grau em que ela trabalha para parecer branca, ou para encarnar aspectos do estilo branco. Tina Tuner e Aretha Franklin foram percussoras dessa tendência, as duas pintavam o cabelo de loiro. Na vida cotidiana vemos cada vez mais mulheres usando cada vez mais químicas para ter cabelo liso e loiro.
Em uma de minhas conversas que se concentravam na construção social da identidade da mulher negra dentro de uma sociedade sexista e racista, uma mulher negra veio até mim no final da discussão e me contou que sua filha de sete anos de idade estava deslumbrada com a idéia do cabelo loiro, de tal forma que ela havia feito uma peruca que imitava os cachinhos dourados. Essa mãe queria saber o que estava fazendo de errado em sua tutela, já que sua casa era um lugar onde a condição de negro era afirmada e celebrada. Mas ela não havia considerado que o seu cabelo alisado era uma mensagem para a sua filha: nós mulheres negras não somos aceitas a menos que alteremos nossa aparência ou textura do cabelo.
Recentemente conversei com uma de minhas irmãs mais novas sobre o seu cabelo. Ela usa tintura de cores berrantes em diversos tons de vermelho. No que lhe diz respeito, essas escolhas de cabelo pintado e alisado estavam diretamente relacionadas com sentimentos de baixa auto-estima. Ela não gosta dos seus traços e acredita que o estilo de cabelo transforma a sua fisionomia. O que eu percebia era que a escolha dela na realidade chamava mais atenção para a sua fisionomia e era tudo o que ela pretendia ocultar.
Quando ela comentou que com essa aparência ela recebia mais atenção e elogios, sugeri que a reação positiva podia ser resposta direta da sua própria projeção de um alto nível de auto-satisfação. As pessoas podem estar respondendo a isso e não à tentativa de ocultar ou mascarar o seu fenótipo. Conversamos sobre as mensagens que estava mandando para as suas filhas de pele escura: que elas certamente seriam aceitas se alisassem os seus cabelos!
Certo número de mulheres afirmou que essa é uma estratégia de sobrevivência: é mais fácil de funcionar nessa sociedade com o cabelo alisado. Os problemas são menores; ou, como alguns dizem, “dá menos trabalho” por ser mais fácil de controlar e por isso toma menos tempo. Quando respondi a esse argumento em uma discussão em Spelman College, sugeri que talvez o fato de gastar tempo com nós mesmas cuidando de nossos corpos é também um reflexo de uma sensação de que não é importante ou de que nós não merecemos tal cuidado. Nesse grupo e em outros, as mulheres negras falavam de ter sido criadas em famílias que ridicularizavam ou consideravam desperdício gastar muito tempo com a aparência.
Independentemente da maneira como escolhemos individualmente usar o cabelo, é evidente que o grau em que sofremos a opressão e a exploração racistas e sexistas afeta o grau em que nos sentimos capazes tanto de auto-amor quanto de afirmar uma presença autônoma que seja aceitável e agradável para nós mesmas. As preferências individuais (estejam ou não enraizadas na autonegação) não podem escamotear a realidade em que nossa obsessão coletiva com alisar o cabelo negro reflete psicologicamente como opressão e impacto da colonização racista.
Juntos racismo e sexismo nos recalcam diariamente pelos meios de comunicação. Todos os tipos de publicidade e cenas cotidianas nos aferem a condição de que não seremos bonitas e atraentes se não mudarmos a nós mesmas, especialmente o nosso cabelo. Não podemos nos resignar se sabemos que a supremacia branca informa e trata de sabotar nossos esforços por construir uma individualidade e uma identidade.
Como nas lutas organizadas que aconteceram nos anos 1960 e princípios da década de 1970, as mulheres negras, como indivíduos, devemos lutar sozinhas por adquirir a consciência crítica que nos capacite para examinar as questões de raça e beleza e pautar nossas escolhas pessoais de um ponto de vista político.
Existem momentos em que penso em alisar o meu cabelo só por capricho, aí me lembro que, mesmo que esse gesto pudesse ser simplesmente festivo para mim, uma expressão individual de desejo, eu sei que gesto semelhante traria outras implicações que fogem ao meu controle. A realidade é que o cabelo alisado está vinculado historicamente e atualmente a um sistema de dominação racial que é incutida nas pessoas negras, e especialmente nas mulheres negras de que não somos aceitas como somos porque não somos belas.
Fazer esse gesto como uma expressão de liberdade e opção individual me faria cúmplice de uma política de dominação que nos fere. É fácil renunciar a essa liberdade. É mais importante que as mulheres façam resistência ao racismo e ao sexismo que se dissemina pelos meios de comunicação, e tratarem para que todo aspecto da nossa auto-representação seja uma feroz resistência, uma celebração radical de nossa condição e nosso respeito por nós mesmas.
Mesmo não tendo usado o cabelo alisado por muito tempo, isso não significa que eu era capaz de desfrutar ou realmente apreciar meu cabelo em estado natural. Durante anos, ainda considerava isso um problema. Ele não era natural o suficiente, crespo o necessário para fazer um black interessante e decente, o cabelo era muito fino. Essas queixas expressavam a minha continua insatisfação. A verdadeira liberação do meu cabelo veio quando parei de tentar controlar em qualquer estado e o aceitei como era.
Só há poucos anos é que deixei de me preocupar com o quê os outros possam dizer sobre o meu cabelo. Só nesses últimos anos foi que eu sentir consecutivamente o prazer lavando, penteando e cuidando do meu cabelo. Esses sentimentos me lembram o aconchego e o deleite que eu sentia quando menina, sentada entre as pernas de minha mãe, sentindo o calor do seu corpo e do seu ser enquanto ela penteava e trançava o meu cabelo.
Em uma cultura de dominação e antiintimidade, devemos lutar diariamente por permanecer em contato com nos mesmos e com os nossos corpos, uns com os outros. Especialmente as mulheres negras e os homens negros, já que são nossos corpos os que freqüentemente são desmerecidos, menosprezados, humilhados e mutilados em uma ideologia que aliena. Celebrando os nossos corpos, participamos de uma luta libertadora que libera a mente e o coração. Plus>
Chris Rock pensou em mim na hora de produzir este documentário?
Talvez . . . rs*
Sempre fui extremamente atenciosa com relação ao meu cabelo, desde pequena escolhia as fitas e exigia o pente quente toda semana. Minha madrinha me chamava de negrinha faceira e vaidosa.
Se fechar os olhos consigo ter todas as sensações do ritual;
calor, eu sentada entre as pernas da mãe - quando doia ela me segurava com força, me apertando com os joelhos.
o aroma do óleo de lavanda, era bom . . . exalava mais forte quando fritava em contato com o pente quente . . .
o barulho entre um passada e outra . . . *txiiii* "é pra ficar bem liso, né mãe?!"
Com 6 anos, a primeira química *Thanks Lord meu cabelo nunca caiu! rs* . . . depois alongamentos, tranças . . . química, tranças de novo . . . alonga . . . alisa . . . enrola . . . relaxa . . . em hoje praticamente cuido sozinha dos meus cabelos. 1 mix de curiosidade, dom e interesse me permitem tal façanha . . . e sinto 1 prazer enorme nisso!
Queen Latifah assinou uma nova coleção de make desenvolvida para a pele negra. A “Queen Collection”, da CoverGirl tem uma grande paleta de corretivos, o que segundo Queen, é onde encontra a maior dificuldade na hora da compra para chegar no tom exato. Outro ponto positivo é o preço: os corretivos custam em média US$ 8! Essa não é a primeira vez que a atriz e cantora assina a linha, a sua estreia na CoverGirl foi em 2006 e o sucesso foi tamanho que a coleção ganha mais presença a cada coleção. Veja mais aqui.
Beleza é fundamental ?
Desculpem os desavisados, mas cerca de 85% sai com água e sabão . . .
o padrão de beleza mudou, e as exigências aumentaram muito de um tempo pra cá! No tempo dos meu avós, os conceito e valores eram outros!
Eu fico pensando se quando Vinicius de Moraes falou que beleza é fundamental, estava se referindo aos olhos amendoados, ao nariz afilado, boca sobresalente . . . fáceis de se obter com bons truques de maquiagem. Sei lá . . acho essa "beleza" é tão frágil, tão vulnerável. Oh, Seu Moraes . . . Beleza não é fundamental, fundamental é o interesse que você desperta nas pessoas. Complicada a situação de quem se deixa encantar por tal "beleza" e num dado momento vê que tudo era pó, pigmento, glicerina e outros componentes químicos . . . pensa na frustração do fulano!
Não é errado se maquiar, se cuidar, se gostar . . . pois é fato que pessoas + bonitas e bem produzidas levam vantagem, porém está mais que provado que a primeira impressão não é a que fica! Está bom passar a impressão de ser somente 1 rosto bonito? Está bom viver numa insastifação permamente? Por que SIM, as modelos das revistas e outdoors vão ser sempre mais bonitas que você! Nunca vai estar bom o suficiente . . . Creme, make e bisturi não resolvem . . . Photoshop resolve!
Veja como isso é feito:
É, minha car@ . . . culpa de 1 gigante perfeccionista chamado de "industria da beleza". . . ele só está fazendo [e bem ] o seu trabalho, cabe a você cair ou não na armadilha!
Porém para que nossa auto-estima não despenque ao folhear revistas femininas recheadas de modelos belíssimas em campanhas publicitárias, está em tramitação na Câmara dos Deputados um projeto de lei que obriga imagens tratadas com Photoshop a virem com a advertência "Atenção: imagem retocada para alterar a aparência física da pessoa retratada".
O projeto - que será analisado pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; de Defesa do Consumidor; e de Constituição e Justiça e de Cidadania - dirige-se inicialmente apenas a imagens publicitárias, portanto a Playboy poderá continuar com seus "banhos de Photoshop".
Discussões semelhantes à esta também acontecem na França e Inglaterra. Ambos propõem que os anúncios sejam mais realistas e as imagens sofram menos intervenções do programa queridão da Adobe. "As pequenas mentiras da beleza são perfeitamente perdoáveis", mas quem desobedecer a lei aqui na terra brasilis terá que desenbolsar R$ 50 mil para pagar a multa.
Não é a solução para todos os seus problemas com auto-estima, mas ajuda e muito . . . como 1 alívio . . 1 "Ufa, é photoshop!" . . . e o dia pode continuar com menos auto-cobrança . . . 1 caprichada no make e você estará feliz . . . se sentindo bem para se preocupar com o que realmente importa!
Esses vídeos são da Campanha Dove Real Beleza [ [ Sim, sim . . . . Campanha Milíssima Pela Real Beleza é plágio! ]]. Como parte da campanha, a empresa encomendou uma pesquisa de comportamento, realizada em 10 países com três mil mulheres. Segundo a pesquisa, somente 2% das mulheres pesquisadas se auto definem como sendo bonitas, 75% das mulheres definem sua beleza como sendo mediana e 50% entendem que seu peso esta acima do ideal.
Mew . . . 2% se acham bonita. . . os 98% restantes vivem numa busca constante pela Beleza Photoshopada . . . triste não?!
Esses dias numa visita de rotina ao Sarava Club me deparei com esta imagem acima; óbvio que fucei na internet e acabei por conhecer o trabalho de Les Toil. O ilustrador [ a cara do Wando ] desenha PinUps Plus Sizes já faz 1 tempo e uma de sua referência é Duane Bryes, criador 1 da famosa Hilda , uma divertida ruiva rechonchuda estilo retrô.
Hoje em dia, a maioria das musas fofoletes desenhadas por Toil são admiradoras do seu trabalho ; elas enviam uma foto, contam 1 pouco da sua história e devaneios para que ele possa se inspirar e criar as personagens.
Passe lá no site e veja todas as galerias . . . é 1 coisa FOFA!
Esse Fernando Torquato é danado , né? A bicha é boa . . . e responsável pela caracterização de todo elenco da novela que perco tempo de assistir. A atual "das 8" Viver a Vida!
Mas o assunto não é a novela, que ultimamente tá dando bode . . . o assunto é El Cabelón de Tais HELENA Araújo, que inspirou muitas mulheres negras a assumir os cachinhos . . . antes da novela 5 entre 10 eram adeptas do lisão repicado ou com franjinha [ eu acompanho tuuudo* ]
Presta atenção:
"A parte mais curta é dela; a mais comprida é um aplique de 800 gramas de cabelo importado do Haiti", explica Wilson Eliodorio, o autor da obra. Eliodorio alisou o aplique, refez os cachos a seu gosto e fez relaxamento no cabelo de Taís antes de colar os fios extras. "Assim ela mudou para Helena, que é o ser que agora ocupa aquele corpo", entusiasma-se o cabeleireiro. Taís aprovou. "Nunca me incomodei com cabelo cheio"
Essas fotos são do primeiro calendário-pôster só com modelos plus size (a partir do manequim 44). Tal façanha foi produzida pela Haz Editora, em conjunto com o Projeto Mulheres Reais.
O ensaio foi realizado pelo fotógrafo André Banyai, que se inspirou nas clássicas modelos pin ups. As modelos foram a estudante de Comércio Exterior Talita Kobal, a psicopedagoga Andréia Gomes, a estudante de Administração Janaína Sousa e a analista administrativa Samara Sant´ana. Todas elas atuam em desfiles e fotos para catálogos, anúncios e revistas.
Estou louca atrás desse calendário, já liguei, mando email e nada!
Quero 2!
1 é pra mim porque eu super-amei o projeto, e outro pro meu amigo carioca Junior, que dispensa as mulheres-fruta do Rio 40 º C . . . " Prefiro as mulheres-picanha, mulher pra mim tem que ter carne e 1 capinha de gordura! "
Depois dessa frase que dispensa qualquer livro de auto-ajuda de 350 páginas, eu encerro o post!
Saudações de uma ex-futura modelo plus size . . .
explico: com meu free de booker infantil, fico sabendo de uns testes e me inscrevi pra 1 que me encaixava, eram umas fotos, passou 1 tempo e desencanei, esqueci . . . mas 1 dia a produtora me ligou animada, tinham adorado as fotos, o perfil e queriam marcar o segundo teste . . . e pergunta-bomba foi feita : "como está seu peso, você engordou ? " . . . confiante disse que não, que havia emagrecido até . . . ela respondeu: ai que pena! ¬¬ ok ok . . . já superei! quem sabe 1 miss plus áfrica.
Não existe mulher feia Um “feio-charmoso-e-inteligente” disseca a relação da mulher com a beleza Por Jorge Espírito-Santo*
Vai longe a época em que o poeta disse: “As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. Tão longe que já deu tempo de as feias oferecerem o seu perdão e de as belas tentarem saber quem era esse tal poeta. Na verdade não existe mulher feia. Porque, mais do que beleza, o que se espera de uma mulher é que ela tenha aquela coisa que deixa a gente sem saber se vai pra direita ou pra esquerda, o tal do borogodó. Vocês sabem do que eu estou falando?
Ainda para melhor entendimento, poderia fazer uma lista de mulheres que têm de sobra esse borogodó. Mas corre o risco de ela ficar tão extensa que acabaria invadindo outras seções desta Tpm, que, por sinal, foi editada por uma convidada que serve bem para abrir a lista.
É claro também que, às vezes, um tratamento de beleza com os cremes certos, um cabelo bem tratado, com uma pele boa, tudo isso coroado com um figurino que favoreça, ajuda. Não precisa chegar ao ponto de um “extreme makeover”, um processo radical de transformação, daqueles que quando a pessoa se olha no espelho nem se reconhece mais. Porque, no fundo, quem está se achando feia anda mal-amada, mal arrumada e com problema de autoestima.
Se você é homem (não importa se do tipo charmoso, cheiroso, bon-vivant.) e não concorda muito com o que estou dizendo, pensa um pouco naquela balada em que você chega, olha o ambiente e acha que está fraco, não tem mulher bonita. Lá pelas quatro da manhã e com o teor alcoólico em alta, o foco começa a mudar. Aquela que era caída, pensando melhor, não é tão ruim assim… Às vezes acaba convencendo a menina a passar as próximas horas ao seu lado. Quando o sol bater na janela do seu quarto, você já pode ter mudado de ideia e começa a duvidar do que disse o poeta lá de cima – ainda mais se a performance da sua companheira surpreender. Aí, então, entende que realmente a beleza está nos olhos de quem vê.
* Jorge Espírito-Santo, 46, é gerente artístico de conteúdo do GNT.
"A beleza tem mais a ver com o conforto do que com um padrão estético. É quase que um estado de espírito. Quando se está bem consigo mesma tudo brilha."
Algumas amigas,vizinhas e transeuntes perguntaram como deixava meu cabelo com cachos fechados e sem pesar . . . além do permamente natural, faço a manutenção com os seguintes produtos :
* Máscara de tratamento Cabelos Cacheados Linha HAIR BUTTER da Helcla - R$ 9,00 [ Hidratação semanal ]
* Brilho Finalizador Linha Gold Black da Amend - R$ 16,00 [ Dá 1 maravailhoso, não tira nada de volume ! . . . cheirinho booom ]
* Take Charge Mousse Modelador corretivo da John Frieda - R$ 20,00 [ ele modela friccionando ou com bobes ]
Comprei todos na Ikesaki , 1 rede gigante de cosmesticos aqui de SP, mas os produtos; com exceção do mousse que paguei baratíssimo; são tranquilos de achar nas grandes perfumarias!
Para o dia-a-dia , uso shampoo, cond. e ativador da gold black. Recomendo toda a linha!